Entrevista com Cesar Manara da CDPR – Bate-papo na BGS 2017

Pedro “TemerianGeneral” Voltera entrevistou César Manara, o recente membro (a quase dois meses) e Community Specialist da CD Projekt Red aqui no Brasil. Manara é muito gente boa e um excelente profissional, contou-nos muitas informações bacanas acerca da CDPR e Gwent, confira!

VP: César, agradeço você e a CDPR por terem me recebido para esta entrevista! Gostaria que você falasse um pouco como foi seu ingresso na CDPR.

Cesar Manara: É um processo bem padrão, como qualquer outra empresa do mercado de trabalho normal. Eu vi uma vaga no site e mandei currículo e cover latter, que é uma coisa bem comum fora do Brasil, aqui no Brasil nem tanto. Lá fora quase todas as empresas pedem a cover latter, que é uma carta de apresentação onde você descreve: “Quem é você?”, “O que você conhece?”, “Quais são seus valores?”, “O que você acha do trabalho, como você pode contribuir?”. Depois esperei um tempo, recebi o primeiro e-mail sendo convidado por uma entrevista. Fiz várias entrevistas, alguns testes, algumas coisas e foi isso. Foi um processo bem padrão mesmo.

 

VP: Até que ponto a comunidade interfere/auxilia no balanceamento das cartas? Vocês levam a opinião da comunidade brasileira, seja no fórum ou nas redes sociais, para dentro da CDPR?

Cesar Manara: Com certeza! O meu trabalho, parte dele é justamente isso. Na verdade, é quase por isso que eu fui contratado agora. É pra conseguir ouvir mais o que a comunidade brasileira tem falado para dar mais suporte aos campeonatos, como o “Circuitão de Gwent” e colher as iniciativas da comunidade brasileira, para gente apoiar mais e poder trazer novas coisas que a gente faça e propicie pra comunidade também.
Quanto ao balanceamento, são 3 fatores que são levados em conta: A opinião da comunidade, a nossa visão como desenvolvedores, que nós também jogamos. Inclusive tem gente dentro da CD Projekt que está quase no topo da Pro Ladder, nós só não falamos quem, mas tem. (rs) E o terceiro fator são dados, estatísticas que coletamos: Quais cartas que estão sendo mais jogadas, quais estão menos jogadas. Levando estes 3 fatores em consideração que é feito o balanceamento.

VP: E como é trabalhar na CDPR? Geralmente a empresa é muito bem falada. É realmente muito bom mesmo?

Cesar Manara: Por enquanto tem sido muito bom. Eu conhecia o pessoal pela internet mas pessoalmente acabei de conhecer a equipe, durante esse tempo na BGS. É divertido conversar com eles. Estamos no mesmo hotel então todo dia a gente desce, ficamos lá fora conversando. Saímos alguns dias mas agora nos dias do evento  a gente só quer dormir, só isso. (rs) Então a gente pede alguma coisa, come no lobby, e o pessoal tem recebido muito bem.

 

VP: Gwent nem foi oficialmente lançado e já tem um grande e excelente cenário competitivo. Por que decidiram já criar o cenário competitivo antes do lançamento do jogo? Há mais ideia para criar mais torneios ao estilo da Gwent Pro Cup ao redor do mundo?

Cesar Manara: Basicamente foi algo que a comunidade pediu pra gente fazer. No começo nós não tínhamos a ideia de fazer o eSport antes de lançar o jogo. Não foi algo pensado anteriormente. Foi como “Ok, lançamos um jogo mais baseado em skill do que vários outros card games porque não tem tanta RNG, você compra menos cartas, etc”, e a própria comunidade começou a organizar os campeonatos. E quando a comunidade começou a fazer isso, começaram a perguntar pra gente: “E aí, o que vocês vão fazer?”. E nós: “Ããã, o que vamos fazer? Não sabemos ainda” (rs). E então veio o Gwent Masters, o Gwent Pro Cup. No começo foi como: “Será que fazemos? O jogo ainda não está pronto. Já passou por várias mudanças de balanceamento”, então não tínhamos certeza se estava pronto ou não mas como a comunidade queria… Basicamente o jogo foi feito por pedidos da comunidade como “Por favor, façam um jogo Standalone de Gwent!”, “Por favor, façam campeonatos!”, e agora estamos fazendo campeonatos.

 

VP: CDPR tem a intenção de fazer alguma Campeonato brasileiro de Gwent oficial? O Michael ‘Nightheaven’ está junto com o Vale do Pontar e estamos fazendo o “Circuito de Gwent Brasileiro”, o “Circuitão”, e pretendemos ampliá-lo. Vão apoiar mais os campeonatos amadores? Se precisarem, estamos aqui para auxiliá-los!

Cesar Manara: Com certeza. Acabamos de trocar a premiação do “Circuitão” dos 5 kegs para “pó de meteorito”, porque acreditamos que é uma premiação melhor e não vai só para o vencedor e sim para os três primeiros. Então ampliamos um pouquinho aí. A ideia é apoiar cada vez mais, se mais gente quiser organizar campeonatos, fale com a gente, manda mensagem no Facebook, e-mail, de qualquer jeito, e vamos ver o que podemos fazer. E além disso, sempre há a possibilidade de fazer eventos oficiais licenciados, que são organizados pela comunidade com a chancela oficial da CD Projekt. Estes precisam de um pouco mais de produção. Por exemplo, o requisito mínimo de premiação são 10.000,00 dólares em prêmios total, mas é uma opção. Inclusive, os torneios oficiais licenciados podem dar “Pontos de Coroa” para o Gwent Masters, então também dá pra fazer.

 

VP: Quais são os objetivos da CD ProjektRed quanto ao Gwent, onde a CDPR pretende chegar? Ter o maior cenário competitivo de Gwent? Ter o jogo em um maior número de linguagens possíveis?

Cesar Manara: A ideia é crescer cada vez mais o jogo, tanto em termos do que ele pode ser como em audiência. Por exemplo, tínhamos um jogo de cartas. Não tinha tantos elementos de história, de RPG, que é algo que a CDPR gosta muito de fazer e que os nossos jogadores conhecem a gente por isso. Então fizemos a “Mahakam Festival da Cerveja”. Já tem um pouquinho mais de história, um pouco de puzzle, o que é diferente. A próxima etapa é a campanha single player Thronebreaker, que será bem mais baseada em história e RPG, mas que também futuramente te dará cartas para o multiplayer do Gwent. Então, expandir isso, atrair uma audiência um pouco diferente, que não gosta tanto de card games mas que gosta de RPG, também vai ter o que jogar no Gwent. E crescer no eSports, porque vimos que é o que a comunidade pediu, é o que as pessoas querem então também queremos que cresça, cada vez mais.

 

VP: Que recado você pode deixar para os jogadores brasileiros?

Cesar Manara: Continuem jogando, continuem em contato com a gente. Se tem alguma coisa que vocês precisam, que vocês querem que aconteça, avisa gente. Nem sempre vamos conseguir saber de tudo, então essa comunicação é muito importante, é muito essencial. Pessoal, fale o que precisa porque vamos tentar fazer. E além disso, aproveitem muito as oportunidades que temos para o ingresso no competitivo porque o cenário competitivo no Brasil não é tão desenvolvido quanto em outros lugares. E na Pro Ladder, se você chegar no topo seja no console ou PC, vamos te levar para um evento oficial, a CDPR paga passagem e acomodação se você se qualificar, inclusive aqui para a BGS. Se um Gwent Masters for na Polônia e você ficar no topo da Pro Ladder, for convidado, iremos te pagar para você ir na Polônia competir lá. Aproveitem a oportunidade de entrar no competitivo, crescer e melhorar o competitivo no Brasil, deixar ele cada vez mais profissional.

 

VP: Uma pergunta que me surgiu agora que muita gente fica na dúvida, a Pro Ladder pode levar jogadores tanto de PC quanto do console?

Cesar Manara: A Pro Ladder não faz diferenciação nenhuma em relação à PC e consoles. A única diferença que pode ter é que se você joga no Xbox One, você pode escolher jogar somente contra outras pessoas de Xbox One. As pessoas que escolherem isso não estarão no rank mundial da Pro Ladder porque é injusto. Mas se você jogar no Xbox One, PC ou PS4 contra todo mundo, não fará diferença. O rank é um só e ele é global. Então, de onde você estiver, se estiver no topo do rank, você será convidado para o campeonato.

VP: Muito obrigado César pela oportunidade, espero revê-lo sempre e vamos mantendo contato!

Cesar Manara: Com certeza! De nada.”

Conversando depois com o Manara, ele disse que o Brasil está entre os 5 países que mais possui jogadores em Gwent. O Brasil é muito importante para a CD Projekt Red. E para o nosso cenário local desenvolver cada vez mais e mais, o principal fator é a mobilização da comunidade,  seja demonstrando interesse manifestando-se, gerando conteúdo ou contribuindo na medida do possível, fomentando o cenário nacional.